domingo, 20 de julho de 2014

Menina-mulher

"Tens razão; não sou uma menina normal... Sou uma mulher extraordinária."
Disse, em tom firme, porém melancólico, como se tivesse levado muito tempo para ela se dar conta disso.

Como se o processo não tivesse sido natural, gradual.

Disse como se as palavras saíssem rasgando de seu âmago, queimando o esôfago e amargando a boca. 

Disse em tom de quem sabe o que está dizendo; de quem toma consciência de sua condição de mulher extraordinária e aceita com isso toda a carga que o título carrega em si.

Disse com voz firme pois sabia do que estava falando, a melancolia somente confessava toda a sua trajetória conturbada.

E não, isso não queria dizer que ela era de alguma forma melhor ou pior que os outros. Queria dizer que ela tinha sobrevivido; que apesar das expectativas do destino e da realidade que a vida havia reservado para ela, ela tinha triunfado, sobrevivido, perdoado a si mesma e renascido.

De menina a fênix, de repente mulher. E, ah! que mulher...

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