segunda-feira, 7 de julho de 2014

Habituada

O mundo dorme, eu estou aqui.
Tentando descobrir o porque de as horas passarem tão rápido e ao mesmo tempo; tão devagar.
Tentando manter esse corpo vivo, essa alma em controle, o mundo inteiro e a terra girando em torno dela mesma e do sol ao mesmo tempo.

O que você sente ao acordar? O que pensa ao deitar?

Seis horas passaram como espírito, sem aviso, sem marcas a não ser a leve enxaqueca. Meio dia. Perdi a noção de tempo. Meus dias estão sendo contados em comprimidos de Rivotril e ainda assim, estou aqui me perguntando porque teimei em não tomar ele hoje.

Quem sabe um banho quente não ajude? Uma hora depois e eu estou sentada na mesma posição, abraçada aos joelhos, chorando sem saber o porque e sentindo que não faço juz à palavra vida. Algumas pessoas sabem o que é sentir que seu corpo não os pertence. Que seu corpo é uma piada cruel que deus resolveu pregar em você. Que você diz que está sem fome quando na verdade está tentando se punir por ser o que é.

Uma hora de portas, janelas e olhos fechados. Os pensamentos correm livres... Perigo. Ao levantar, a sensação de que a terra está te puxando pra baixo de novo; como se o outro mundo estivesse reclamando aquela alma morta que insiste em se alojar em um corpo vivo - quebrado, doído, moído; mas vivo. Pele marcada pelo vermelho da água quente, pra purificar.

Esfrego o espelho com a manga esquerda da camiseta. Espelho, espelho meu? Nenhuma resposta, só a mesma cara pálida e patética de sempre. A cara que não me pertence.

Se me oferecessem um estoque vitalício de morfina ou felicidade em seu mais puro estado pro resto da vida, sinceramente, não sei qual escolheria.

Estou cansada de parasitar esse corpo, mas a alma não quer sair de teimosa, de acomodada, de...
Habituada.

Cansei de ser cansada.
O mundo acorda e eu continuo me perguntando por que diabos ainda estou aqui. Não existe saída fácil.

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