Não que o conceito original de monogamia seja ridículo; pelo contrário, é lindo.
Pena que na prática não seja bem assim.
Estou em processo de quebra de normatividade.
Vou te dizer... Não é fácil contrariar tudo aquilo que lhe foi imposto e empurrado goela abaixo desde que você aprendeu a dizer "mamãe".
Veja bem, a cultura mono-hétero-cis-normativa serve para muita gente; mas o problema está aí: normativa.
Eu, pessoalmente, venho a me descobrir cada vez mais livre de tudo aquilo que um dia eu acreditei ser o único caminho a se seguir.
Me disseram que eu precisava ter cabelos compridos; cortei.
Me disseram que eu não podia usar roupas "vulgares"; uso o que eu quiser.
Me disseram que eu precisava usar maquiagem para ser bonita; não uso.
Me disseram que eu não podia beber; eu bebo.
Me disseram que eu não podia fumar; eu fumo.
Me disseram que eu não podia falar palavrão; eu falo.
Me disseram que eu precisava me portar como uma dama; me porto do jeito que quero.
Me disseram que eu precisava "me dar ao respeito"; faço o que bem quiser com meu corpo.
Me disseram que eu precisava ser hétero; sou pan.
Me disseram que meus relacionamento deveriam ser mono; estou trabalhando para mudar isso.
Eu sou assim, muito "na lata", pra mim é tudo muito simples.
Monogamia não é pra mim. Pelo menos não essa monogamia doentia que vemos hoje em dia - na verdade, acho que nenhuma.
Somos todos muito livres. Eu, livre para fazer o que quiser e você livre para fazer o que quiser.
E se nos gostamos? Namoro-noivado-casório-carro-apartamento-filhos-netos-caixão.
Não.
E se eu gosto de Manuel e de Fabrício? Como fica a Beatriz? Preciso mesmo escolher um para o resto da minha vida? Porque não posso aproveitar o que cada um tem de bom, e que eu adoro, com cada um deles enquanto durar?
Juro que sinto que o relacionamento mono é como uma prisão.
Escorregou, fodeu, está namorando.
Está namorando há 2 anos, escorregou, fodeu, está noivo.
E por aí vai.
Não me admiro em ver tantos relacionamentos mono acabando assim, de repente.
2 anos de casado, puft, acabou.
Um filho recém-nascido, puft, acabou.
Namoro de 6 anos, puft, acabou.
Assim, como se nada tivesse acontecido.
Acho que quando gostamos de alguém, recalcamos todos nossos desejos que, apesar de serem super válidos, não se encaixam na nossa cultura heterocisnormativa.
E gente, recalcar faz mal.
Porque uma hora ou outra, você vai acordar, se olhar no espelho e ver uma versão acabada, robótica, sem vontade própria, movida a normas sociais e vai assustar - é aí, meu caro amigo, que a merda vai pro ventilador e todos seus amigos e parentes ficam boquiabertos com o término daquele seu relacionamento que "nossa, eles eram feitos um para o outro!".
Pra mim já deu.
Hoje paro para pensar e acabo chegando a conclusão de que meus relacionamentos mono acabaram justamente por essa minha mania de querer teimar em ter relacionamentos mono.
Sei lá, é complicado. Ao mesmo tempo que me sinto bem com a ideia de relacionamentos livres para pessoas livres, eu me pego tendo a necessidade de ficar me justificando o tempo inteiro.
(ah vá, Amanda! você está escrevendo um texto sobre relações livres, criticando a monogamia, explicando porque funciona para você e diz que sente necessidade em ficar se justificando? que exagero!)
Mas é.
Porque as pessoas insistem em me julgar "promíscua" ou "louca" ou "inconsequente".
Eu, hoje, não tenho planos nem vontade de insituir família tradicional. Mesmo.
Hoje tudo o que quero é curtir as pessoas que me cativam.
Eu só preciso descobrir porque todo mundo acha isso tão errado.
Eu acho que quando você nasce ovelha negra, você morre ovelha negra.
"Uní-vos, ovelhas negras desse planeta peculiar chamado Terra, uní-vos e erguei força para aguentar nego caga-regra, fiscal de cu alheio e vomitador de insultos gratuitos. Pois vos digo: uma vez ovelha negra, tu tá fodido, mermão..."
excelente texto, amanda... <3
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