quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Devaneios insones

Abro a janela e me sento no parapeito.
A noite é fresca e estrelada e lua está linda.
Olho no relógio, uma hora da manhã.
A cidade não para.
O barulho distante de tráfego e as luzes acesas nos prédios revelam sua insônia.
Ouço conversas alheias de estranhos transeuntes.
Acendo um cigarro e saboreio meu primeiro trago.
Me perco na imensidão de estímulos que é essa selva.
Deveria estar dormindo, mas o que mais deseja um insone além de alguém para lhe fazer companhia até o amanhecer?
A vista é acolhedora.
Tento ler um pouco, mas os estímulos externos roubam minha atenção.
Me sinto sozinha. E gosto.
Será que finalmente fiz as pazes comigo mesma?
Nunca ia imaginar que um lugar como esse seria minha terapia.
Talvez um retiro espiritual ou uma cabana no meio do Alaska para colocar os pensamentos em ordem e acalmar a alma seria a primeira opção.
Verdade seja dita, o silêncio absoluto me apavora.
A sinfonia mecânica que a cidade emite é música para meus ouvidos.
Saboreio minha solidão, é verdade.
Mas não consigo deixar de pensar em você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário