Abro as janelas e sinto a brisa noturna arrepiar minha pele.
O céu está sem estrelas.
Ouço o barulho distante do tráfego. Respiro fundo.
Deixo meu corpo cair na cama. Tento relaxar os músculos e não consigo.
Como num reflexo, força do hábito, estico os dedos e olho para minhas mãos.
Elas tremem.
Pego a pequena caixa de metal. Vermelha estampada.
Abro e encontro meu último cigarro.
Pego ele entre meus dedos e brinco com ele.
Dizem que não consigo manter minhas mãos paradas. Talvez tenham razão.
Me perco em meus pensamentos.
Penso em todos os cigarros que vivenciaram junto a meus dedos momentos esquecidos.
Dizem que os olhos são expressivos.
Deveria
estar prestando mais atenção nas mãos que rodam o copo na mesa de bar,
enquanto os olhos te hipnotizam e tiram seu foco da verdade escancarada.
Acendo meu isqueiro e encaro a chama trêmula.
Levo o cigarro à boca e o acendo.
Inspira.
Expira.
Saboreio o trago do que me mata lentamente para poder me sentir viva.
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