quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Devaneios insones

Abro a janela e me sento no parapeito.
A noite é fresca e estrelada e lua está linda.
Olho no relógio, uma hora da manhã.
A cidade não para.
O barulho distante de tráfego e as luzes acesas nos prédios revelam sua insônia.
Ouço conversas alheias de estranhos transeuntes.
Acendo um cigarro e saboreio meu primeiro trago.
Me perco na imensidão de estímulos que é essa selva.
Deveria estar dormindo, mas o que mais deseja um insone além de alguém para lhe fazer companhia até o amanhecer?
A vista é acolhedora.
Tento ler um pouco, mas os estímulos externos roubam minha atenção.
Me sinto sozinha. E gosto.
Será que finalmente fiz as pazes comigo mesma?
Nunca ia imaginar que um lugar como esse seria minha terapia.
Talvez um retiro espiritual ou uma cabana no meio do Alaska para colocar os pensamentos em ordem e acalmar a alma seria a primeira opção.
Verdade seja dita, o silêncio absoluto me apavora.
A sinfonia mecânica que a cidade emite é música para meus ouvidos.
Saboreio minha solidão, é verdade.
Mas não consigo deixar de pensar em você.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Apaixonada

Me apaixonei pela espontaneidade.
Amor à primeira vista, flechada certeira.
Briguei com os planos, os faço de bobos.
Driblo a monotonia e fujo da rotina.
Imprevisível, ela me acompanha nessa dança sem coreografia ensaiada.
Passamos vergonha, caímos, sacudimos a poeira e caímos - na risada.
"Me permita marcar um horário em minha agenda, daqui um mês está programado nosso encontro."
O que foi? Não ouvi, estava cochilando.
Esse negócio de encontro marcado me entedia.
Falo que vou, perco a vontade, enrolo, protelo, desisto.
Faltam quinze pra meia noite, topa um bate-volta pra lua?
Só se for agora!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Denúncia!

Esses passos curtos denunciam a fraqueza de minhas pernas.
Essa dança impaciente denuncia meus pés cansados.
Essa postura desleixada denuncia o cansaço de meu corpo.
Esse brilho em meu rosto denuncia o suor do dia quente.
Esses olhos distantes denunciam minha exaustão mental.
Esse rosto rubro denuncia minha enxaqueca persistente.

Mas esse sorriso em meus lábios ofusca todas as outras denúncias.
Descobri que amo São Paulo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Roda Gigante

Sem os seus medos,
Sem os temores mais profundos,
Quem é você?
Amanda, você ou quem?
A garotinha que perdeu o caminho?
Sabe, aquele feito de migalhas de pão.
Ou a menina-mulher que esqueceu?
Não se lembra?
Um sorriso, acho que era isso.


O Alegorista

Cigarro

Abro as janelas e sinto a brisa noturna arrepiar minha pele.
O céu está sem estrelas.
Ouço o barulho distante do tráfego. Respiro fundo.
Deixo meu corpo cair na cama. Tento relaxar os músculos e não consigo.
Como num reflexo, força do hábito, estico os dedos e olho para minhas mãos.
Elas tremem.
Pego a pequena caixa de metal. Vermelha estampada.
Abro e encontro meu último cigarro.
Pego ele entre meus dedos e brinco com ele.
Dizem que não consigo manter minhas mãos paradas. Talvez tenham razão.
Me perco em meus pensamentos.
Penso em todos os cigarros que vivenciaram junto a meus dedos momentos esquecidos.
Dizem que os olhos são expressivos.
Deveria estar prestando mais atenção nas mãos que rodam o copo na mesa de bar, enquanto os olhos te hipnotizam e tiram seu foco da verdade escancarada.

Acendo meu isqueiro e encaro a chama trêmula.
Levo o cigarro à boca e o acendo.
Inspira.
Expira.

Saboreio o trago do que me mata lentamente para poder me sentir viva.

Я тебя люблю

Desde pequena, me ensinaram o que era amor.
E com tantos exemplos a se seguir,
Aprendi.

Que o amor morde, arranha, rasga e machuca.
Que o amor dói, sangra, engana e corrompe.
Que o amor profana, restringe, exclui e aprisiona.
Que o amor monopoliza, privatiza, perverte e oprime.

Mas, aos poucos, percebo que o amor não é padronizado.
Não se banaliza, não idealiza.
Se inventa.

Meu amor acalenta, acolhe, multiplica e liberta.
Meu amor é transformador, mutável, inesgotável e imprevisível.
Meu amor, apesar de imperfeito, é sincero, verdadeiro e sereno.
Meu amor é único, porém não exclusivo.
Meu amor se doa, mas não exige de volta.

Meu amor é livre.

***

Se eu acredito no amor?
Não preciso.
Eu sinto.

***

Eu sou muito verbal quanto ao que eu quero, acho ou espero dos outros.
Talvez por isso elogie tanto as outras pessoas.
Mas faço isso de coração, faço isso porque me faz bem.
Faço por que gosto de expor meus pensamentos.
E, sério, não tem coisa mais gostosa do que elogiar alguém e não ouvir aquele elogio-só-porque-me-senti-na-obrigação-de-devolver de volta.
A pessoa aceita, agradece e sorri.

É amor de mais pro meu coração.

***

Afinal, o que é o amor?

***

O amor é um animal selvagem
Ele respira você, ele procura por você
Faz um ninho nos corações quebrados
E vai caçar com beijos e velas
Suga rapidamente os seus labios
Cava tuneis pelas suas costelas
Pode cair, leve como a neve
Primeiro é quente, depois frio, e termina tudo em dor

Amor Amor
Todos querem
Lhe domar
Amor Amor
No final
Captura voce entre seus dentes

O amor é um animal selvagem
Ele morde e arranha e te chuta em minha direção
Segura me firmemente com a força de mil braços
Arrasta me em seu ninho de amor
Me come com a pele e cabelo
E me estrangula novamente através dos dias e anos
Pode cair, leve como a neve
Primeiro é quente, depois frio, e termina tudo em dor

Rammstein - Amour

Little girl/big girl

Hey there, little girl.
Don't be sad. 
Brush your hair out of your eyes.
You are so pretty.
Please, I'm here.

Hey there, little girl.
You came back to me.
You'll always be my darling, don't you know? 
Now you have me.
I'm everything you'll ever need.

Hey there, little girl.
Once again you're back to me.
You always come back, have you noticed?
There's no need to cry.
You're with me.

Shush, little girl.
Now we can be together.
Everything is alright.
I love you.
You will always be mine.

Hey there, big girl.
I didn't noticed you were up.
I'll be back in the afternoon.
Don't cry.
I love you.

Hey there.
Don't cry!
I'm still here.
I'm your friend.
You can count on me.

Hey.
Never mind what I said before.
I guess people change.
Haven't you vanished two times already?
Now it's my turn.

You can cry now.

Rant

No, you're not gonna break me down again.

Not gonna waste my time anymore. 
I'm gonna appreciate the things that come to me.
I'm not gonna beg anymore.

EVEN if they are little things, momentary things.
I don't know who I am anymore.
But that's just an opportunity to reinvent myself.
And let go of the people who are not worthy.

Amanda, who?

Who are you, girl?
Why are you so afraid?
Afraid of not being enough.
Can I come in and play?

Why are you crying, girl?
What have you done?
Gave up on all you believed.
Are you happy now?

Why so blue, girl?
Have you lost your strength?
Handed your life to a total stranger.
Is it the end?

Who are you, girl?
Can you tell?
Lost and alone.
Do you still recognize yourself?

Monogamia

A monogamia está corrompida.
Não que o conceito original de monogamia seja ridículo; pelo contrário, é lindo.
Pena que na prática não seja bem assim.
Estou em processo de quebra de normatividade.
Vou te dizer... Não é fácil contrariar tudo aquilo que lhe foi imposto e empurrado goela abaixo desde que você aprendeu a dizer "mamãe".
Veja bem, a cultura mono-hétero-cis-normativa serve para muita gente; mas o problema está aí: normativa.
Eu, pessoalmente, venho a me descobrir cada vez mais livre de tudo aquilo que um dia eu acreditei ser o único caminho a se seguir.

Me disseram que eu precisava ter cabelos compridos; cortei.
Me disseram que eu não podia usar roupas "vulgares"; uso o que eu quiser.
Me disseram que eu precisava usar maquiagem para ser bonita; não uso.
Me disseram que eu não podia beber; eu bebo.
Me disseram que eu não podia fumar; eu fumo.
Me disseram que eu não podia falar palavrão; eu falo.
Me disseram que eu precisava me portar como uma dama; me porto do jeito que quero.
Me disseram que eu precisava "me dar ao respeito"; faço o que bem quiser com meu corpo.
Me disseram que eu precisava ser hétero; sou pan.
Me disseram que meus relacionamento deveriam ser mono; estou trabalhando para mudar isso.

Eu sou assim, muito "na lata", pra mim é tudo muito simples.
Monogamia não é pra mim. Pelo menos não essa monogamia doentia que vemos hoje em dia - na verdade, acho que nenhuma.
Somos todos muito livres. Eu, livre para fazer o que quiser e você livre para fazer o que quiser.
E se nos gostamos? Namoro-noivado-casório-carro-apartamento-filhos-netos-caixão.
Não.
E se eu gosto de Manuel e de Fabrício? Como fica a Beatriz? Preciso mesmo escolher um para o resto da minha vida? Porque não posso aproveitar o que cada um tem de bom, e que eu adoro, com cada um deles enquanto durar?
Juro que sinto que o relacionamento mono é como uma prisão.
Escorregou, fodeu, está namorando.
Está namorando há 2 anos, escorregou, fodeu, está noivo.
E por aí vai.
Não me admiro em ver tantos relacionamentos mono acabando assim, de repente.
2 anos de casado, puft, acabou.
Um filho recém-nascido, puft, acabou.
Namoro de 6 anos, puft, acabou.
Assim, como se nada tivesse acontecido.
Acho que quando gostamos de alguém, recalcamos todos nossos desejos que, apesar de serem super válidos, não se encaixam na nossa cultura heterocisnormativa.
E gente, recalcar faz mal.
Porque uma hora ou outra, você vai acordar, se olhar no espelho e ver uma versão acabada, robótica, sem vontade própria, movida a normas sociais e vai assustar - é aí, meu caro amigo, que a merda vai pro ventilador e todos seus amigos e parentes ficam boquiabertos com o término daquele seu relacionamento que "nossa, eles eram feitos um para o outro!".
Pra mim já deu.
Hoje paro para pensar e acabo chegando a conclusão de que meus relacionamentos mono acabaram justamente por essa minha mania de querer teimar em ter relacionamentos mono.
Sei lá, é complicado. Ao mesmo tempo que me sinto bem com a ideia de relacionamentos livres para pessoas livres, eu me pego tendo a necessidade de ficar me justificando o tempo inteiro.
(ah vá, Amanda! você está escrevendo um texto sobre relações livres, criticando a monogamia, explicando porque funciona para você e diz que sente necessidade em ficar se justificando? que exagero!)
Mas é.
Porque as pessoas insistem em me julgar "promíscua" ou "louca" ou "inconsequente".
Eu, hoje, não tenho planos nem vontade de insituir família tradicional. Mesmo.
Hoje tudo o que quero é curtir as pessoas que me cativam.
Eu só preciso descobrir porque todo mundo acha isso tão errado.
Eu acho que quando você nasce ovelha negra, você morre ovelha negra.

"Uní-vos, ovelhas negras desse planeta peculiar chamado Terra, uní-vos e erguei força para aguentar nego caga-regra, fiscal de cu alheio e vomitador de insultos gratuitos. Pois vos digo: uma vez ovelha negra, tu tá fodido, mermão..."


Os sentimentos mais bonitos são sempre os mais sinceros

Os sentimentos mais bonitos são sempre os mais sinceros.

***

Se é sinceridade que quer, sinceridade terá.
Serei sempre verdadeira e, por mais que doa, se um dia nossos caminhos se tornarem divergentes, saberemos que o que tivemos foi pura e unicamente verdadeiro.
Sabemos que tudo segue seu rumo, que nunca estamos satisfeitos.
Mas a consciência limpa e o calor que aquece nossos corações destacará nosso relacionamento em meio aos outros.
Não existirão memórias penosas, questionamentos sem resposta ou mágoa no coração.
Eu sei, não estamos acostumados a sermos sinceros - nem ao menos conosco - mas a sinceridade é a base dos sentimentos mais bonitos.
Me lembrarei dos momentos quentes e bonitos e terei sempre um sorriso ao rosto. Não tenha dúvidas.
Relacionamentos são mutáveis, maleáveis, inconstantes. Não tenho necessidade em definir ou rotular.
Apenas sinto.
Ao fim, todas as palavras ditas se esvairão por entre meus dedos como água corrente mas o que eu senti permanecerá intocado. Ao fim, é o que importa.
Que seja o que for, e vivamos o que seja, mas não olhemos para trás.
O brilho de nossos olhos nos guiará.


Free

I am who I am and that's not gonna change.
I'm not gonna hide it anymore.
Fuck what everyone else thinks.
I'm gonna embrace all the names and insults and wear them proudly.
Nothing's gonna hurt me anymore.
You cannot change me.
I'll be free.

Better

Maybe someday
I'll really know
what's like to be
at peace

Maybe someday
all my doubts
and all my fears
will disappear

But I'm strong
and I'll hold on
to whatever I got
in hand

Because someday
you'll see me
better and stronger
than today

And all I ever do
is never because of you
I want to be better
for myself

Rhymes

It's such a shame, I know.

 We are so young. 
And claim to be so strong.
I guess we're just wrong.

I know it's bad.
It's making me mad. 
I'm losing my head.

Existência artificial

Trabalha pra viver
Ou vive pra trabalhar?

Vive um labirinto cinza de cubículos divisores, pessoas sem nome, conversas ao fundo, telefone tocando.
Fingindo ser amigo, fingindo se importar, fingindo ser feliz.
Fingindo viver.
Confortavelmente desconfortável; reclama só por força do hábito.
No fim do dia a TV ligada pra desligar o cérebro.
Dorme pouco, acorda cedo.
Todos em posição,
1, 2, 3...

She will always be a broken girl

Era uma vez,

Uma menina quebrada que não se conformava com o mundo.
Essa menina não conseguia entender tanto ódio, tanta inimizade e tanta violência gratuita no mundo.
E também não entendia o porquê de tanta regra.
E por ser tão diferente de tudo, ela se viu sozinha.
Até que fez um amigo.

E esse amigo a cativou, pois apesar de ser uma menina quebrada, ele a tratava muito bem.
Então essa menina começou seu processo de amadurecimento.
Só que, por ser muito cabeça dura, fez um monte de besteiras no processo.
Mas não importava, ela sempre teve o apoio de seu amigo.
Ele era um amigo para se conversar, para rir, para aconselhar, para repreender, para acholher e nunca, nunca mesmo, julgar. E era isso que ela mais gostava nele.
Muitos anos de amizade depois, a menina quebrada já era mais madura e já não se via tão sozinha.
Acasos vêm e acasos vão, os dois começam a namorar.

E porque não? Se ele é tão amigo, o que pode dar errado?
O respeito era mútuo, a consideração também.
A amizade deles estava acima de tudo.
Nada podia os derrubar.

Exceto eles mesmos.

Esse amigo conhecia a menina quebrada mais do que ela mesma.
Sabia nomear cada caquinho, cada trinco, cada amassado... De cor e salteado. E a menina colocou toda a sua confiança nele, e entregou sua vida nas mãos dele.
Acontece que quando se é uma menina quebrada, por mais que os caquinhos estejam lá, paradinhos, colados com fita adesiva, a qualquer momento tudo pode desmoronar.
E ela desmoronou.

E ele não soube ajudar.
Então ele fugiu.

E ela se perdeu na imensidão de fragmentos dela mesma e se viu sozinha mais uma vez.
Só que dessa vez o vazio era maior. Os cacos se perderam, sobraram lacunas.
Ela havia se tornado dependente do amigo e estava sofrendo abstinência.

***

Confiar em alguém é esculpir o cabo, afiar a faca e entregá-la embrulhada para presente.

***

It's a long walk and the music is loud
She sees an old friend as she walks through the crowd
Puts on her best smile
But she will always be a broken girl

He'll never get you, he will never understand (...)

(...) This might be the time to break down
Hush child, don't make a sound

She Wants Revenge - She Will Always Be a Broken Girl

O carro, o cachimbo e o beijo

Tudo começou quando ele me pediu um beijo.

Na verdade, não foi um pedido. A promessa ficou subentendida.
O que ele fez foi me confessar suas intenções da forma mais bonita e sincera. E triste.

Era uma noite fresca e tínhamos saído com uns amigos.
Eu não o conhecia. Ele não me conhecia.
Quer dizer, éramos conhecidos, mas nada além disso.

Veja bem, eu estava em uma depressão profunda na época.
Na realidade, tinha acabado de decidir sair do meu quarto escuro pela primeira vez em um mês e fui visitá-los.
Tudo estava indo bem, o fim de semana estava sendo animado e eu estava rindo - pasmem, rindo!.
Até que o gatilho foi acionado.

Tenho até vergonha em contar isso, pra falar a verdade, mas contarei assim mesmo.
Estávamos no carro, F. estava dirigindo e B. no passageiro. Eu, atrás.
F. estava dirigindo rápido, e como eu nunca gostei dessa sensação, tive medo.
Tive medo e gritei.
Acabei com o clima da conversa, de tudo.
Me olharam com repreensão nos olhos.
E eu me envergonhei.
Não porque eu havia gritado. Mas porque eu não sabia por que motivo havia gritado.
O silêncio foi absoluto até nosso destino.
Minha cabeça estava um turbilhão de pensamentos.

Porque havia eu gritado?
Porque aquele reflexo inconsciente de gritar?
Tinha eu medo? Não, não... Medo de que? De morrer?
Eu não tinha medo de morrer.
Na verdade, se eu morresse alí, naquela hora, naquele momento, eu ficaria feliz - se é que pode-se ficar feliz após sua própria morte.
Foi isso. Percebi que desejava morrer.
E que aquele grito desconfortável foi apenas um reflexo, um hábito adiquirido com o tempo, memória muscular.
Me senti minúscula.
E me fechei no meu pequeno grande mundo interior.

Claro que todos ficaram assustados.
Só posso imaginar minha feição - olhar distante, rosto pálido, expressão vazia.
Mas eu estava pensando, e estava pensando em tudo de uma vez só.

A vida vale a pena?
O que faz com que eu prefira viver a morrer - ou morrer a viver?
Seria aquele fim de semana de risadas apenas uma mentira bem contada a fim de me fazer acreditar que poderia ser feliz?
A quem eu estava enganando? Estava eu enganando alguém? Ou estaria enganada em pensar que aquilo era um engano?
O que fazer quando se sente alheia à tudo? Alheia até a sua própria existência?
Quando foi que deixei de sentir prazer? Como foi? Porque?

B. percebeu algo - não sei exatamente o que - e me chamou para conversar, fora do estabelecimento.
E ele me disse muita coisa - e é claro que não me lembro. Mas ouviu muito mais.
E eu falei sobre tudo o que me vinha à mente e o coitado lá, a ouvir.
Chorei, tive raiva, quase gritei.
E ele fez algo que me deixou muito tranquila - disse o que pensava, foi sincero.
Quando lhe perguntei qual o sentido da vida, ele não me respondeu com frases vazias de auto-ajuda barata.
Ele disse o que pensava.
E isso me acalmou.
Ficamos um tempo mais conversando, agora um pouco mais tranquila e entramos.
Nos perdemos de F., então fomos arranjar um canto para nós.
Sentamos e conversamos e fumamos o cachimbo emprestado de F.
E naquele momento eu me senti menos vazia. Menos sozinha. Menos alheia.
Não me lembro da conversa - e isso é um defeito meu que detesto.
Mas, pensando bem, eu nunca me lembro das palavras. Me lembro muito bem dos sentimentos.
Me senti compreendida, me senti amparada, acolhida, importante - para um estranho conhecido.

Ao final da noite, quando fui me despedir de B., ele me disse - novamente, parafraseando pois não me lembro das palavras certas - que essa noite ele queria um beijo.
Não disse só isso, disse que queria um beijo, mas que percebera que seria melhor deixar esse gesto para um dia em que não tenhamos apenas nossa dor para compartilhar.

Foi aí onde tudo começou.
Não sei exatamente o que, mas não importa.
Maldita mania minha de tentar entender tudo.

Relationships

Chill.
They're just emotions, just chemicals in the brain. That's all.
You are not some beast driven by chemically-induced urges, you're a rational, conscious human being.
Don't let the negative emotions control you.
Label the problem. Find the source. Whatever the trigger problem is may not be the actual cause.
Find what needs to be done specifically to fix the problem, both in the immediate and the longterm.
Need more time? Need a hug? Ask.
When you state what you need, phrase things appropriately in a non-confrontational and constructive manner.
"You make me feel bad!" is bad, "I feel bad when you do X." is good because that way, you take responsibility for your emotions.
When you are feeling super-emotional is when you take strict control over your words and actions, lest things fly out of control.
Be patient. Things don't always change overnight.
Forgive. People make mistakes and it's not the end of the world.
Deal with shit when it's small and manageable. This requires constant communication.

(random thoughts about strange people)

hey, you, stranger

why feeling so blue?
what dark places did your thoughts get you into?

hey, you, unstable stranger

you make believe you are so strong
you know a feeble breeze can shake your soul

hey, you, uncertain stranger 

how can you be so confident 
and yet so full of doubts?

hey, you, insecure stranger 

do you even know who you are?
where did you chose to draw your line?

hey, you, unforgiving stranger

how can you say you forgive others
if you can't even forgive yourself 

hey, you, passionate stranger

not everyone can understand
the way you express love

hey, you, straightforward stranger 

people may be shocked by the way you speak
honesty's rare these days

hey, you, unknown stranger 

how can you expect me to know you
If you don't even know yourself?

hey, you, paradoxal stranger

how can one be, at the same time,
black and white, yes and no?

hey, you, person, human being, living entity, brilliant soul 

don't drop your arms

hey, you, unique stranger

Expectativas, esperanças e decepções

Você mudou a forma como você me tratava, fiquei em segundo plano.
Você não se importa comigo há um tempo. 
Você não soube lidar com seus sentimentos e agiu como um adolescente em puberdade.
Você se esqueceu de quem era e se esqueceu do significado que tínhamos um pro outro.

Não quero nem ao menos lembrar de você, a decepção que você me proporcionou é grande de mais.
Espero que seja feliz. Ou não. Na verdade, pouco me importo com essa pessoa egoísta que se tornou. 
Mas agradeço a lição: as maiores decepções vêm de quem você menos espera.

Keep the fire alive

I think we all know, deep inside
how to stand 
the pressure of life

we all want people
to hug us 'till 
the broken pieces stay still

and we all need people
to charm us and delight us
and warm our hearts bright

so once you've been enthralled
you receive the task
to experience the warmth

and keep the fire alive

Hurt Less

When life lose its color and you can't taste happiness anymore... What do you do?
I know, get treatment, get better.
But in the meantime? When you're all alone, dark thoughts, no one to hold on to...
How is it possible to survive?

I admire people who love life.
Living is so hard, so unfair, so treacherous, so hurting...
What's the purpose?

Maybe this is it. The lesson.
Don't ever trust people.
Don't ever put your hopes onto something that you can't control.
Don't go dreaming of the future.
The present is fucked up and if it isn't, can be fucked up at any minute.
Don't expect certain behaviors from people. You never really know them.
Don't think you know someone. Don't think you know yourself.
Kill the little girl and her childish dreams.
There are not enchanted princes.
There are not magic romances.
Love is not what you think it is.
Don't be foolish.
Don't be soft.
Put on your hard cover.
Protect yourself.
Expect less.
Trust less.
Hurt less.

I can't change the past and I can't change the broken feelings. 
I actually can't do anything right now except whine and cry all this mess that's inside my head.

Maybe someday you'll be ready to give me what I need.
Maybe I won't need it anymore.
That's the sad part.

People change

I tried, but couldn't.
I'm really mad at you.

I think I hate you.
I feel bad for hating you.
Let's leave it that way.

So I'm only good enough when I'm mentally healthy. I get it.

You knew I was broken from the day we met.
I thought I had your support.

I always thought you were my guardian angel.
You know I don't believe in that spiritual shit.
But I really believed that.
I thought we we're better than that.
Now I see it was only my childish side dreaming.
There are no guardian angels.
There's people who's going to give you hope and then disappear when you most need them.
They're always going to disappoint you.

You know that "believe" tattoo I was going to get it?
I don't believe anymore.

You know me since I was little.
You helped me.
You gave me hope.

I guess people change.

Love's one big fat lie

Do you believe in magic? In gods? In mystical forces or beings?
I wish I did.
It would make everything so much easier.
To know everything will be alright.
That if our lines are connected it doesn't matter the distance now, time will find us a way.
That we are meant to be, just not right now.
That god has a greater plan for both of us.
That destiny always catches up with you.

Life is so small and so meaningless.
It's not fair.

Broken toy

Oh, life's a burden.
A burden I have to carry by myself.
Is it worth it? I don't know.
I think it's a shame I'm a broken girl.
Nobody wants a broken toy.

Such a Pity

You are your most valuable friend.
Also your worst enemy.

When you need a hug, you get a handshake.
When you need true counsel, you get small talk.
When you need somebody to listen to you, you get somebody who wants to talk.

When someone hits rock bottom, that's it.
They CAN'T get out alone.
And your pity isn't helping at all.

Does it matter?

I feel discarded. 
All these years I felt so special, all for nothing. 
All to be thrown away for a new passion.
Did I mean something to you?
Did I matter?
What did I do to deserve being left aside?
To be replaced?
To be forgotten?

Haiku: Ingênua

Quão ingênua era eu
Achando que conseguiria
Fingir ser normal