quinta-feira, 19 de junho de 2014

Carta pra quem?

Engraçado como eu sempre começo essas cartas sem apresentação.
Me desculpe, esse é meu jeito.
Chego abrindo portas, janelas e gavetas. Tiro o tênis e sento de pernas cruzadas no sofá, pergunto o que há pra comer.
Dizem que o lar é onde o coração está.
E o que acontece se eu estou no seu coração?
Você acha que eu deveria ser mais cuidadosa com meu approach?
Eu faço mesmo uma bagunça por onde passo. Veja meu quarto, veja seu coração.
Qual será meu propósito nesse mundo? Todo mundo tem uma habilidade, não tem?
Acho que minha habilidade é confundir, sacudir, desvirtuar, profanar, bagunçar. E as pessoas amam isso. Elas amam de verdade.
Ninguém tem coragem de fazer isso consigo mesmo. É muito doloroso, difícil fazer esse processo de duplipensamento - desconstruir conscientemente o que está inconsciente, sem se dar conta do processo. É tipo placebo, não funciona se a pessoa sabe que é pílula de açúcar.
Eu sou aquela criança que chega pra tentar melhorar o desenho do colega e rabisca tudo por cima.
Eu sou aquela pessoa que chega pra tentar ajudar você a encontrar o que perdeu e te ajuda a encontrar o que você não tinha perdido.
Eu sou assim, furacão. Nem sim nem não. Só confusão.
Alguns tentam me entender. Eu já desisti. Sou assim, Amanda, amada, amores.
Eu sou o degrau que todo mundo tem medo de subir, mas esse é meu propósito.
Tô aqui pra ser pisada, pra te elevar.
Desisti de me entender, mas de alguma forma, faço os outros se descobrirem no meio da minha bagunça. Dá pra entender?
Não, né.
Dizem que sou brilhante. Não entendo. Parei com essa mania de tentar entender (bem, não. Não parei. Mas quem sabe se eu disser isso um certo número de vezes se torne verdade, né) mas não sei o que fazer com isso.
Sabe aquele cachorro acostumado a viver no mato que é trazido pra casa e não sabe o que é comida de gente humana?
O que eu faço com isso, querido correspondente? O que eu faço com essa brilhanteza que me foi atribuída?
Talvez eu seja muleta. Uma muleta muito brilhante, por algum motivo.
Você sabe melhor que eu que sou masoquista. Gosto de ser degrau.
Mas será que isso é saudável pra mim? É isso que sempre fui, não sei ser outra Amanda.
Não sou altruísta nisso. Ajudo, ajudo, ajudo e tiro minha satisfação de tudo isso.
Cabala? Como era mesmo, os dois caminhos? Ou eram três?
Se há algum caminho certo pra eu estar, espero que minha bússola esteja funcionando.
Ou você terá que ser minha muleta. Meu degrau.
Quem me conhece, sabe. Mas, sabe o que? Eu não sei, me diga você.

Amanda, who?

2 comentários:

  1. Desista de encontrar o caminho! Você está construindo um, ele não existe ainda.por isso é impossível encontrar!

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