sábado, 21 de junho de 2014

Patético

Quão patético.
Eu sozinha, naquele apartamento assombrado.
Perturbada. Em pânico.
Pensando em cortar a rede de segurança e pular da janela. 
Estúpido, moro no primeiro andar. Não adianta.
O que, então?
Deitada na cama, lâmina na mão.
Alívio instantâneo e então pânico.
Eu de pijama, tarde da noite correndo pro hospital.
Sozinha.
Três horas de espera pra ser atendida e eu lá, chorando, soluçando, segurando meu braço e pensando em tudo. Tudo ao mesmo tempo. Eu queria fugir.

Seu irmão voltando da faculdade, coitado, foi lá e ficou comigo. Ele não sabia o que fazer, mas ele foi forte. Nem sei se o agradeci o suficiente. Obrigada, obrigada.

E o medo de te ligar, de te encontrar naquele apartamento estúpido. 
Coitado do pessoal, chegando lá e vendo a bagunça que deixei. Óculos quebrado no sofá, papéis com sangue pela casa toda. Tudo revirado. Assim como eu.

Você foi lá no hospital. Frio.
Eu não tinha onde enfiar minha cara. Dava vontade de arrancar os pontos um a um.

Te assustei, não? Pois é. Gente como você não tá preparado pra lidar com gente como eu. Te afugentei. Você se afastou.

Talvez pensasse que estava fazendo bem em se afastar. Talvez se culpasse.
Mas sabe de uma coisa? Você fez tudo errado, desculpa, mas fez tudo errado.
Você fez o exato oposto do que precisava ser feito. Eu precisava de você.

Não estendesse a mão se fosse pra recolher no último momento.

Covardia.

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