sábado, 21 de junho de 2014

Em manutenção

Dois anos se passaram.
Na verdade, um ano - se contar a partir de quando me dei conta.

Dezenove anos se passaram e eu ainda sou a mesma garotinha assustada que quebra ou perde tudo que toca.
O assustador é quando você para pra pensar e percebe que isso define a sua vida toda.
Fala sério, como não se sentir quebrada?

Depressão. Depressão. Depressão.

Você tem certeza? Tenho. Respiro isso.
Mas você, você que além de fugir me quebrou.
Quebrou feio.
Quebrou o que eu achei que não dava pra quebrar.

Aí você vem e me reclama da vida. 
Gente, será que dói tanto me pedir desculpas? Não sei nem se é desculpas se eu quero. Eu quero gritar.
Quero quebrar de volta.
Quero sentar no chão e chorar porque sei que não adianta, nada adianta, já foi, já passou, já quebrou. Não há cola quente, super bonder, silver tape que resolva.
Você era tudo. Tudo.
Você reclama do seu Yoga semanal ou da sua revista de negócios que não chegou e das suas expectativas e realidade da sua família que apesar de não ter todo o dinheiro do mundo te deram todo o amor do mundo. Você teve uma infância saudável. Uma adolescência bacana. Pelo amor de deus, você não sabe o que é ter uma dor de cabeça. Você não sabe o que é sentir que não tem lar. Se sentir órfão. Quebrado, largado, sem esperanças, rejeitado. 
Meu filho, você é o filho brilhante. Favorito da vó. Sua vida é de se invejar.
Eu tô tremendo só de escrever isso. 
Por que eu achei que você podia me consertar? Por que eu achei que essa loucura daria certo?
Por que eu achei que você não iria me abandonar? Ou que tinha um limite, não sei, me dissesse. Três vezes é de mais, Amanda, não dá. Já perdoei duas.

Você nunca me entendeu. Você nunca me enxergou e viu minha essência quebrada.
Não sei o que te chamou a atenção, mas me usou até quando se entediou.
Eu não precisava do seu amor, mas precisava do companheirismo.

Vai lá, reclama da sua crise existencial.
Eu reclamo aqui do vazio que você criou. Nem deixou, não. Criou.
Você segue sua vida.
A minha tá aqui, estagnada. Parada. Quebrada. Em manutenção.

Dois anos, cara. Se somar, são seis. Seis anos de vida perdidos pra esse monstro de sombras que me segue por onde vou, me arrasta e me sussurra coisas horrendas quando ninguém tá olhando.
Você não podia me salvar. Ninguém pode.
Mas não precisava abandonar. Isso não.

Nem sei se tudo isso faz sentido. Nem sei o o que sentido é mais. Faz tempo que perdeu significado. E tô postando assim mesmo, confuso e sem edição porque é assim que tô me sentindo. Deitada aqui, chorando até molhar minha camiseta toda. 

Não sei o que eu espero de você. Não sei o que deveria.
Não sei se quero ouvir desculpas da sua boca. 
Só sei que a bagunça foi você quem fez, então você que limpe.

Sem reclamar.

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