sexta-feira, 27 de junho de 2014

Amor

Sou feita de amores.
Amores perdidos, amores vividos, amores amados.
Me apaixono todos os dias. Em todas as esquinas.
A Amanda é boba, não serve pra ser amante.

Amo muito, amo todos e amo intensamente - cada um de um jeito peculiar, único.

Eu amo segurar sua mão e conversar.
Amo o beijo na testa, na bochecha.
Amo o abraço carinhoso.
Amo o "eu te amo", o nosso "eu te amo", não o da sociedade.

Amo muito, muito mesmo.
Amo tanto que esqueço de uma coisa muito importante:

Amar a mim mesma.

Transbordo amor e não sobra pra mim.
Ás vezes acho que é defeito, às vezes; consequência.

De qualquer forma, continuo morrendo de amores todos os dias.
Dá pra amar alguém que você nem conhece? Eu respondo, dá e muito. 

Eu amo você, por favor, ajude-me a amar a mim mesma.
Você acredita no amor veradeiro? Acredito. Todos meus amores são de coração, portanto, verdadeiros.

"Enquanto o desejo for mútuo e ambos estiverem disponíveis."

Enquanto for livre.

sábado, 21 de junho de 2014

Patético

Quão patético.
Eu sozinha, naquele apartamento assombrado.
Perturbada. Em pânico.
Pensando em cortar a rede de segurança e pular da janela. 
Estúpido, moro no primeiro andar. Não adianta.
O que, então?
Deitada na cama, lâmina na mão.
Alívio instantâneo e então pânico.
Eu de pijama, tarde da noite correndo pro hospital.
Sozinha.
Três horas de espera pra ser atendida e eu lá, chorando, soluçando, segurando meu braço e pensando em tudo. Tudo ao mesmo tempo. Eu queria fugir.

Seu irmão voltando da faculdade, coitado, foi lá e ficou comigo. Ele não sabia o que fazer, mas ele foi forte. Nem sei se o agradeci o suficiente. Obrigada, obrigada.

E o medo de te ligar, de te encontrar naquele apartamento estúpido. 
Coitado do pessoal, chegando lá e vendo a bagunça que deixei. Óculos quebrado no sofá, papéis com sangue pela casa toda. Tudo revirado. Assim como eu.

Você foi lá no hospital. Frio.
Eu não tinha onde enfiar minha cara. Dava vontade de arrancar os pontos um a um.

Te assustei, não? Pois é. Gente como você não tá preparado pra lidar com gente como eu. Te afugentei. Você se afastou.

Talvez pensasse que estava fazendo bem em se afastar. Talvez se culpasse.
Mas sabe de uma coisa? Você fez tudo errado, desculpa, mas fez tudo errado.
Você fez o exato oposto do que precisava ser feito. Eu precisava de você.

Não estendesse a mão se fosse pra recolher no último momento.

Covardia.

Em manutenção

Dois anos se passaram.
Na verdade, um ano - se contar a partir de quando me dei conta.

Dezenove anos se passaram e eu ainda sou a mesma garotinha assustada que quebra ou perde tudo que toca.
O assustador é quando você para pra pensar e percebe que isso define a sua vida toda.
Fala sério, como não se sentir quebrada?

Depressão. Depressão. Depressão.

Você tem certeza? Tenho. Respiro isso.
Mas você, você que além de fugir me quebrou.
Quebrou feio.
Quebrou o que eu achei que não dava pra quebrar.

Aí você vem e me reclama da vida. 
Gente, será que dói tanto me pedir desculpas? Não sei nem se é desculpas se eu quero. Eu quero gritar.
Quero quebrar de volta.
Quero sentar no chão e chorar porque sei que não adianta, nada adianta, já foi, já passou, já quebrou. Não há cola quente, super bonder, silver tape que resolva.
Você era tudo. Tudo.
Você reclama do seu Yoga semanal ou da sua revista de negócios que não chegou e das suas expectativas e realidade da sua família que apesar de não ter todo o dinheiro do mundo te deram todo o amor do mundo. Você teve uma infância saudável. Uma adolescência bacana. Pelo amor de deus, você não sabe o que é ter uma dor de cabeça. Você não sabe o que é sentir que não tem lar. Se sentir órfão. Quebrado, largado, sem esperanças, rejeitado. 
Meu filho, você é o filho brilhante. Favorito da vó. Sua vida é de se invejar.
Eu tô tremendo só de escrever isso. 
Por que eu achei que você podia me consertar? Por que eu achei que essa loucura daria certo?
Por que eu achei que você não iria me abandonar? Ou que tinha um limite, não sei, me dissesse. Três vezes é de mais, Amanda, não dá. Já perdoei duas.

Você nunca me entendeu. Você nunca me enxergou e viu minha essência quebrada.
Não sei o que te chamou a atenção, mas me usou até quando se entediou.
Eu não precisava do seu amor, mas precisava do companheirismo.

Vai lá, reclama da sua crise existencial.
Eu reclamo aqui do vazio que você criou. Nem deixou, não. Criou.
Você segue sua vida.
A minha tá aqui, estagnada. Parada. Quebrada. Em manutenção.

Dois anos, cara. Se somar, são seis. Seis anos de vida perdidos pra esse monstro de sombras que me segue por onde vou, me arrasta e me sussurra coisas horrendas quando ninguém tá olhando.
Você não podia me salvar. Ninguém pode.
Mas não precisava abandonar. Isso não.

Nem sei se tudo isso faz sentido. Nem sei o o que sentido é mais. Faz tempo que perdeu significado. E tô postando assim mesmo, confuso e sem edição porque é assim que tô me sentindo. Deitada aqui, chorando até molhar minha camiseta toda. 

Não sei o que eu espero de você. Não sei o que deveria.
Não sei se quero ouvir desculpas da sua boca. 
Só sei que a bagunça foi você quem fez, então você que limpe.

Sem reclamar.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sobre olhos e espelhos quebrados

Meus olhos são muito bons. Minhas palavras, já nem tanto.
Te enxergo a alma, mas não sei te descrever.
Sinto tua aura, mas não sei apontar qual é.


Você tem seu espelho, seus olhos e suas palavras que são todas muito boas.
Meu espelho é distorcido.
Por meio dele, enxergo você.
Quando olho pra ele, não vejo ninguém.


Quem sou eu?


Carta pra quem?

Engraçado como eu sempre começo essas cartas sem apresentação.
Me desculpe, esse é meu jeito.
Chego abrindo portas, janelas e gavetas. Tiro o tênis e sento de pernas cruzadas no sofá, pergunto o que há pra comer.
Dizem que o lar é onde o coração está.
E o que acontece se eu estou no seu coração?
Você acha que eu deveria ser mais cuidadosa com meu approach?
Eu faço mesmo uma bagunça por onde passo. Veja meu quarto, veja seu coração.
Qual será meu propósito nesse mundo? Todo mundo tem uma habilidade, não tem?
Acho que minha habilidade é confundir, sacudir, desvirtuar, profanar, bagunçar. E as pessoas amam isso. Elas amam de verdade.
Ninguém tem coragem de fazer isso consigo mesmo. É muito doloroso, difícil fazer esse processo de duplipensamento - desconstruir conscientemente o que está inconsciente, sem se dar conta do processo. É tipo placebo, não funciona se a pessoa sabe que é pílula de açúcar.
Eu sou aquela criança que chega pra tentar melhorar o desenho do colega e rabisca tudo por cima.
Eu sou aquela pessoa que chega pra tentar ajudar você a encontrar o que perdeu e te ajuda a encontrar o que você não tinha perdido.
Eu sou assim, furacão. Nem sim nem não. Só confusão.
Alguns tentam me entender. Eu já desisti. Sou assim, Amanda, amada, amores.
Eu sou o degrau que todo mundo tem medo de subir, mas esse é meu propósito.
Tô aqui pra ser pisada, pra te elevar.
Desisti de me entender, mas de alguma forma, faço os outros se descobrirem no meio da minha bagunça. Dá pra entender?
Não, né.
Dizem que sou brilhante. Não entendo. Parei com essa mania de tentar entender (bem, não. Não parei. Mas quem sabe se eu disser isso um certo número de vezes se torne verdade, né) mas não sei o que fazer com isso.
Sabe aquele cachorro acostumado a viver no mato que é trazido pra casa e não sabe o que é comida de gente humana?
O que eu faço com isso, querido correspondente? O que eu faço com essa brilhanteza que me foi atribuída?
Talvez eu seja muleta. Uma muleta muito brilhante, por algum motivo.
Você sabe melhor que eu que sou masoquista. Gosto de ser degrau.
Mas será que isso é saudável pra mim? É isso que sempre fui, não sei ser outra Amanda.
Não sou altruísta nisso. Ajudo, ajudo, ajudo e tiro minha satisfação de tudo isso.
Cabala? Como era mesmo, os dois caminhos? Ou eram três?
Se há algum caminho certo pra eu estar, espero que minha bússola esteja funcionando.
Ou você terá que ser minha muleta. Meu degrau.
Quem me conhece, sabe. Mas, sabe o que? Eu não sei, me diga você.

Amanda, who?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Mágoa

Você sabe que nesses cinco anos de amizade você deixou várias marcas em mim.
Eu sei que sabe.
Você me tirou da beira do precipício quando eu já estava pronta pra pular.
Você me mostrou o mundo.
Você me mostrou a felicidade.
Você me mostrou o que é gostar tanto de alguém que dói.
Você me mostrou pureza de alma e perdão quando eu decidi fugir.
Duas vezes.
Você nunca me julgou.
Você me mostrou um montão de bandas legais e filmes interessantes.
Você me ajudou a amadurecer e me viu crescer.
Dos treze aos dezoito.
Você largou a sua namorada para ficar comigo.
Ambos sabíamos que nosso sentimento não dava pra ignorar.
E olha, eu tentei.

Conheci sua família. Uns amores.
Conheci seus amigos. Super divertidos.
Era como se eu fosse adotada por essa enorme família de gente legal e carinhosa.
A família que nunca tive.

Fizemos planos.
Viajamos juntos com nosso suado dinheiro.
Fomos ao show da minha vida juntos.
Fomos ao show de nossas vidas.
Rimos e choramos juntos.
Me abri completamente pra você.
Para meu querido anjo da guarda, minhas vísceras, com amor, Amanda.

Mas você... Ah, você era perfeito.
Um exemplo. O favorito da vó.
Lindo. Saudável. Gentil.
Um homem de sucesso.
Tudo o que qualquer garota sempre quis.

Eu sabia que cedo ou tarde você iria me trocar por alguém que não fosse quebrado como eu.
O que eu não sabia era que você iria se esquecer de cinco anos de amizade.
Eu não sabia que iria me ignorar.
Que iria me abandonar.
Eu achei que tudo tinha sido tão significativo pra você quanto foi pra mim.
Eu achei que esse tipo de amizade não se jogava fora.
Não se esquecia.

Não sabia que iria soltar a minha mão quando eu estivesse prestes a pular.

domingo, 8 de junho de 2014

Se estivesse se afogando no meio do oceano...

...conseguiria distinguir a água do sal?


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Amor e liberdade

Se tu amas, deixe-o livre.

Amor deveria ser sinônimo de liberdade.

O medo de começar tudo novamente me paraliza.
Estava tudo indo tão bem...
Onde é que foi que errei?
Onde é que foi que cedi?

Queria tanto que entendesse.
Não sou pássaro domesticado.
Por favor, não corte minhas asas.
Por favor, não me tranque em uma gaiola.

Feridas

Da minha mãe dizendo que eu não deveria ter nascido ao professor que me humilhou na frente de toda a sala pela nota baixa: obrigada pela baixa auto-estima.
Pra todo mundo que me diz que sou bonita - só que seria mais, se emagressece alguns quilos.
Pra todo mundo que me diz que sou perfeita - mas que estrago meu rosto com esse monte de piercings.
Pra todo mundo que me diz que tem inveja do meu cabelo - mas que eu ficaria mil vezes mais bonita se eu o deixasse crescer.
Pra todo mundo que me diz que me acha atraente - só que tem vezes que me visto como puta.

Obrigada pela baixa auto-estima. Vocês quase conseguiram me matar. Mas acontece que não ligo mais pra vocês.
Resta só curar as feridas.

Eu amo Nós!

Na gaveta encontro nossos papeis avulsos.
Entre eles, quiçá, falta algo sobre a amizade.
Ou quem sabe aquela carta que nunca respondi.
Afinal, sou eu seu destinatário impossível.

A leveza de minha memória pesa hoje em recordar.
Restam palavras soltas de sentimentos tão intensos.
Ainda sinto a presença e, novamente, sinto o calor.
Daquele abraço apertado e da fumaça do cachimbo.

Uma noite que brilhou algo em mim e em você.
Brilho de uma pequena fagulha que nos aqueceu.

Serei cativo do riso envergonhado e do olhar fugido.
Da mão que cobre o sorriso e da boca aberta em gozo.
Sim, sou cativo sim. Porém, em mim há a liberdade.
Livre em relações que nos entrelaçam os nós.

Soube que para nós não houve ponto final.
Teve dois pontos. – você mesma dirá.
Pequena pausa: pensar, respirar, recriar.
Ao final, não havia o fim, somente...

***

You’re so brilliant.
Please, don’t soon forget.