terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Marionete

Olha, talvez eu seja mesmo só aquela sem juízo, inconsequente, com cabelo pintado e piercing na cara.
Aquela que você não dá a mínima pq não segue os padrões dessa sociedade nojenta.
Aquela que não vai ser ninguém na vida só pq não quer se abaixar e levar sem questionar.

Talvez você seja a putinha do patriarcado. Do capitalismo.
É, talvez seja.

Talvez eu não deva me envergonhar de ser assim, rebelde, como vocês me chamam.
Talvez minha inconsequência me traga paz de espírito por saber exatamente quem eu sou e onde estou.
Talvez eu seja tudo o que um dia eu quis ser e você...
Ah, você...

Continua aí, usando fantasia de pessoa de bem. De pessoa direita. Que se submete a tudo o que o cafetão te manda fazer. E faz, hein, faz com gosto.

Enquanto isso, sou tudo o que sempre quis ser e continuo lutando por um mundo onde seguir seus prórpios sonhos não seja algo condenável.

É verdade que vou perder várias oportunidades por manter essa postura.
Mas prefiro me manter íntegra com meu eu a me vender por um preço tão barato.

O preço de ser marionete.

Negligência

06:30 da matina, passei a noite acordada e agora tô jogada na cama chorando e relembrando todo o mal que você me fez.
Você sabia que só agora, 1 ano depois, eu tô conseguindo controlar mais minha vontade de deixar de existir?
Você sabia que eu ainda choro por todos os amigos que perdi por causa de você?
Que eu não te perdôo por ter me ignorado e não me perdôo por ter confiado tanto em você?
Que não importa o quanto eu tente te tirar da minha vida, eu não consigo, pq você tá impregnado na essência de quem eu sou?

Espero que fique bem claro também o motivo pelo qual ainda estou devastada.
Não foi por amor. Foi por amizade.
Foi por negligência em um momento tão frágil da minha vida.
Foi por ter virado a cara pra mim quando eu precisava de alguém pra conversar.

Sabe, eu costumava dizer que você era um ótimo ouvinte.
Hoje acho que fingia que ouvia. Se me ouvisse mesmo, me conheceria. Se me conhecesse, não teria feito isso.

Feridas

Eu sou uma mulher feita de feridas.
Nutro e cuido de cada uma delas como uma loba cuida de suas crias.
Elas me fazem quem eu sou.

Não tenho exatamente orgulho delas.
Orgulho é uma palavra muito forte.
Mas elas são parte de mim. Elas moldaram quem sou.

Elas doem, sangram, machucam,
Às vezes são amigas, coçam pra me alertar.
Me fazem blindagem contra o mal do mundo.

Mas quando a tempestade chega e não posso controlá-lás,
Todas sangram, uníssonas, me lembrando de quem realmente sou.

Um brinquedo quebrado com uma atitude petulante.