Andando pelo terminal rodoviário, Daft Punk tocando a trilha sonora nos meus fones de ouvido.
Atrasada. Que novidade, não, dona Amanda?
Pois é.
Uma passagem pra São Paulo, por favor. 09:10, poltrona 23, como sempre.
Uma passagem pra cidade que tem gosto de amores.
Essa cidade que carrega um brilho escondido. Pra descobrir tem que garimpar. Tem que sair pra caminhar na Augusta 2am.
Selva de pedra, não peca em aventuras.
Um Marlboro Filter Plus, por favor. Parei com o filtro vermelho, sacomé.
Uma mulher de cabelos enrolados me chama atenção. Magra, mais alta que eu. Linda.
Juro que não reconheci. Juro mesmo. Mas ela é linda, se tivesse me dado mole a idiota aqui teria caído que nem patinho.
Aí, você. Olhar assustado, apressado, desajeitado. Quer olhar mas não quer contato visual. Fácil assim, não? Me rouba a oportunidade de te passar o que eu sinto em 2 segundos de olhar.
Mas se parar pra pensar você foi esperto. Todo o rancor enterrado, enroscado na garganta pra sair de uma vez faria um estrago que só. Tanto em você quanto em mim.
Aí liguei ela a você. Sua nova namorada. A substituta.
Uma pena, não deveria ter sido assim.
Eu gostava dela.
Mas não gosto mais de você.
Quem pensa que é transbordando insegurança, criando desencontros? Será que se envergonha?
Duvido.
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