Hoje sonhei com você.
Estávamos numa casa, tipo casa de praia, sabe? E estávamos num grupo grande de amigos.
Você continuava agindo como sempre: ignorava minha presença, fugia de mim, parava de falar assim que eu pisava no mesmo cômodo que você, feito assombração.
Eu não me lembro como aconteceu, mas em determinado momento você achou que eu estava te dando bola.
E você começou a me procurar, querer conversar, querer se mostrar preocupado...
É o que todo mundo dizia, sabe. Que a culpa de você ter se afastado era minha. Que eu, na minha depressão e abandono, estava te assustando e que eu teria que te dar abertura para se aproximar. Como um animal selvagem, sabe? Fique imóvel com um pedaço de carne na mão e espere que lentamente o animal se aproximará; não faça movimentos bruscos!
Engraçado isso. Eu, em depressão, frágil, abandonada, ignorada, colocada em segundo plano por uma paixão mais fresca, me sentindo sozinha no mundo, é que estava responsável por manter você calmo, sem se assustar.
Não cabia a você entender minha situação e medir suas palavras e ações, não! Eu é que tenho que não ser louca.
Enfim, não é que no sonho eu dei essa tal abertura mágica e você se sentiu seguro, que bênção!
Mas a sua presença me embrulhava o estômago, queria vomitar, me sentia desconfortável, me sentia suja, imunda. Você me dava nojo.
Aí eu percebi que não adianta querer que as coisas voltem a ser como eram: você estragou tudo.
Que bem me faço ao querer alguém que só fica do meu lado na saúde e alegria? E na doença e na tristeza, eu é que me viro? Alguém que não leva minha opinião e meus sentimentos em consideração?
Hoje fico feliz que tenha acabado logo. Só fiquei de luto por dois anos de namoro, sem maiores laços como casamento ou filhos.
Obrigada por ter me mostrado quem realmente era antes que as coisas ficassem sérias de mais.
A verdade é: você não sabe lidar com gente humana. Que adoece, que tem problemas de saúde, que fica brava, triste, deprimida, que engorda, envelhece etc. Você sabe lidar com gente alegre, feliz o tempo todo, que não toma remédio nem vai pro hospital, que não briga, que não é gente.
No fim, acordei enjoada mas olhei pro lado e tudo passou.
Foi só um pesadelo.